MANOEL MENDES FREITAS, conhecido popularmente por “MELINHO MATIAS”, nascido a 2 de julho de 1930, no
sítio baixa Verde, município de Apodi-RN e faleceu em sua terra natal, no dia
19 de novembro de 2024. Era filho do casal FRANCISCO
MATIAS MENDES e MARIA SALOMÉ DO
ROSÁRIO. Casou-se em 14 de julho de 1962, há 46 anos, com a
professora MARIA NATIVIDADE GURGEL
DE FREITAS, com os seguintes filhos: GILBERTO MENDES GURGEL DE FREITAS
CARVALHO, GIDÉIA, GERUSA E ZÉLIA.
Como sobrenome de solteira de sua mãe era Melo e ele era
muito magrinho seus irmãos começaram a lhe apelidar de “MELINHO”.
No ano de 1931 Melinho passou a residir no sítio Campos
Velhos, município de Taboleiro do Norte, Estado do Ceará, com seus pais e
irmãos, onde ficaram até 1940, quando mudaram para o povoado de Poço de Tilon,
município de Apodi.
Em 1942 viajou com seus genitores para o município de
Capinzal, no Estado do Maranhão. Mesmo adolescente trabalhou em estrada de
rodagem, tendo adquirido muitas noções de vida naquela atividade4.
Em 1946 retornou com a família, do Maranhão para o sítio Poço
de Tilon, de onde saíram para a Fazenda Bravas, também em Apodi.
Em 1948, com 18 anos de idade, na comunidade de Melancias,
aprendeu a fazer sapatos com Xavier.
Quando surgiu a construção da BR 405-Mossoró-RN a Sousa-PB,
em 1951, entrou como “tarefeiro”. Construiu um trecho da rodovia na localidade
de Baixa Grande e, depois, fez o aterro que liga a BR a ponte de
Apodi(onde ficam asa comportas da Lagoa). Terminado o serviço da BR 405
Melinho Matias foi estagiar em Natal, durante dois meses como tratorista.
Concluído o estágio foi trabalhar na Fazenda Simão, de propriedade de Chico
Martins, no município de Assu-RN, trazendo dois tratores novos, marca Massey
Fergusson. Como naquele ano foi um ano seco danificou as máquinas pesadas e
retornou a sua terra natal.
Em Apodi começou a confeccionar sapatos. Em 1952 fez uma
pequena economia e iniciou uma compra de arroz na localidade de Apanha Peixe,
já na divisa com o município de Caraúbas, escopeando no Formento, em
Apodi e vendendo na então Vila e atual cidade de Umarizal-RN.
Com a venda do arroz Melinho aumentou seu capital e, nos anos
de 1953 a 1955 passou a viajar em carro fretado para os Estados do Maranhão,
Piauí, Ceará e outros estados nordestinos, tendo assim conseguido aumentar a
margem de lucro.
Em 1958, comprou um caminhão, em sociedade com seu irmão
José Mendes de Freitas, e continuou viajando, dessa vez pegando frete.
Sobreveio uma crise no ramo e resolveu a deixar o transporte parado por falta
de recursos.
Em 1959 a convite de um amigo, contratou oito homens,
entre eles: Manoel Maria da Santa Rosa e foram para São Raimundo Nonato, no
Estado do Piauí, trabalhar numa estrada de rodagem. Colocou o caminhão no
trabalho, mas decorridos apenas quatro dias, a firma suspendeu os serviços
por falta de verba.
Do Piauí deslocou-se para o Pernambuco, mas precisamente para
o município de Petrolina e passou a transportar boi para o Caruaru-PE.
Atendendo a informação de um amigo foi para a cidade de
Imperatriz-MA, trabalhar na rodovia federal Belém Brasília. No primeiro frete
foi batido o motor do caminhão. Deslocou-se para São Luís-MA, onde compraram
todas as pelas necessárias. O mecânico do acampamento botou o
material a perder. Com muita dificuldade conseguiu chegar a Imperatriz. Retirou
o motor do caminhão e transportou para Teresina, capital do Piauí, onde foi
feito o serviço, e retornou para Imperatriz onde havia ficado o transporte.
Colocou o motor e viajou para Bacabal, também no Estado do Piauí, e de lá para
o nosso querido e amado Rio Grande do Norte. No percurso teve tantas
dificuldades que, em pleno inverno, num trecho de apenas oitenta léguas(480
quilômetros) – de Imperatriz até Presidente Dutra, gastou quatorze dias de viagem.
Foi membro fundador em Apodi, dentre outras coisas, da
Congregação Batista Brasileira, fundada em Apodi pelo missionário Lou Chocler,
em 1960, e depois, juntamente com sua querida e amada esposa Dona Maria
Natividade, da Igreja Batista de Apodi, fundada em 7 de setembro de 1962.
Em 1962 foi convidado pelo saudoso professor Robson Lopes
(22/8/1927 – 28/12/1991) para estudar na Escola Particular Felinto Alves, na
qual exerceu a presidência do Grêmio Estudantil, quando empreendeu uma campanha
pela recuperação daquele estabelecimento de ensino – ameaçado de fechar por
dificuldades financeiras, junto ao alunado e à comunidade em geral.
Conseguiu pleno êxito em seu objetivo. Após a quitação dos débitos com os
professores, viajou à Fortaleza-CE, junto com Robson Lopes, para comprar
material elétrico – artigo que não existia no comércio apodiense, com a
finalidade de melhorar a iluminação das salas de aula.
Melinho sempre valorizou muito o estudo. Ainda na Escola
Felinto Alves, teve que cursar, mesmo sem ter sido reprovado, dois anos seguido
a mesma série – a penúltima – para não parar de estudar devido a falta de
ofertas do último ano do antigo curso ginasial que por causa disso só concluiu
em 1966.
Depois como não pode mais sair de Apodi para estudar fora,
teve que esperar até 1977, quando começou a primeira turma do então 2º grau,
atual ensino médio, na Escola Estadual Professor Antônio Dantas, da qual
Melinho faz parte, tendo participado da primeira formatura de auxiliares de
escritório da cidade.
Com a chegada a Apodi do pastor Diomédio Alves, fundaram, em
1965, a APAVAP-Associação dos Pequenos Agricultores do Vale do Apodi, da qual
Melinho foi vice-presidente na primeira diretoria. A ideia era transformá-la em
uma cooperativa
No ano de 1966 ingressou, juntamente com outros amigos, como
sócio fundador da FUNDEVAP –
Fundação para o Desenvolvimento do Vale do Apodi, apoiando o Padre Pedro Neefs
e assumiu o cargo de diretor do Museu.
Quando saiu o registro da cooperativa, no dia 2 de setembro
de 1967 – data oficial de sua fundação, ele já trabalhava para ela há cerca de
três anos sem receber nada em troca, sustentando sua família com a atividade de
sapateiro e a ajuda de sua esposa. Passou então sua sapataria para seu irmão
Didi e seu cunhado Antonio Ferreira, passando a dedicar exclusivamente à
cooperativa.
Passou a chamar CACAL-Cooperativa Agrícola dos Cerealistas de
Apodi LTDA, na diretoria da qual acumulou as funções de vice-presidente e
gerente. Sendo ali uma espécie de faz-tudo, realizando trabalhos de cabeceiro,
contador, veterinário, mecânico e etc.
Na cooperativa trabalhou durante quatorze anos, alguns sem
remuneração, e ao sair dela – que já se chamava COOPERMIL e estava espalhada
por vários municípios da região – fundou a Casa Mendes, uma farmácia veterinária
com a qual ajudou muitos criadores salvando vários animais de Apodi e de outros
municípios vizinhos.
Melinho Matias sempre participou da política apodiense,
estando sempre ligado ao mesmo partido, tendo mudado apenas as siglas. Foi
membro fundador do antigo MDB-Movimento Democrático Brasileiro, que depois
passou a se chamar PP-Partido Popular, atual PMDB-Partido do Movimento
democrático Brasileiro, atualmente presidido pelo Klinger Pinto.
Ele foi vice-predidente do PMDB no período de 1981 a 1983, na
gestão do presidente Manuel Antônio de Souza, o saudoso Manuel Galdino
(25/12/1931 – 15/7/2000), e presidente por duas vezes, de 1985 a 1988, teve
como vice-presidente Manoel Galdino; e de 1988 a 1990, teve como
vice-presidente o comerciante Francisco Chaves Sizenando Filho – “Titico de
Chavinha” (04/3/1963 – 02/6/2008).
Juntamente com outros companheiros leais como Antônio da
Torrefação, Manoel Galdino, sua esposa, Dona Natividade, seu irmão João Matias,
Pintinho e tanto outros, seguraram com unhas e dentes a bandeira do
partido nos anos difíceis de derrotas, perseguições e poucas alegrias.
Em 1976 foi convidado pelos deputados Henrique Alves e Chico
Rocha para ser candidato a prefeito de Apodi pelo MDB nas eleições de 15 de
novembro. Reconhecendo a capacidade do jovem médico José Pinheiro Bezerra não
aceitou e levou o partido, quase em peso, a apoiar sua primeira candidatura a
prefeito pela sublegenda da ARENA II.
Nas eleições de 15 de novembro de 1982, para resolver um
impasse criado dentro do partido e manter sua unidade viveu um fato inédito na
política apodiense, talvez, na brasileira. Foi candidato a vice-prefeito de
três candidatos a prefeito – BENEDITO JOSÉ DE MORAIS (1.759 VOTOS), MANOEL
ANTONIO DE SOUZA (1.361 votos) e PEDRO TERCEIRO DE MELO (1.225 VOTOS),
totalizando assim 4345 sufrágios.. Porém, o povo de Apodi preferiu eleger o
saudoso Hélio Morais Marinho e seu companheiro de chapa, o Dr. Ivo Freire, que
obtiveram 4.885 votos.
Com a eleição do governador Geraldo Melo, em 15 de novembro
de 1986, derrotando o candidato da situação, o professor João Faustino Ferreira
Neto, e a consequente distribuição de cargos públicos que se seguiu por
uma questão de coerência com seus princípios morais não nomeou um único
familiar.
Como presidente do Diretório Municipal do PMDB, foi
responsável pela vinda do Dr. José Pinheiro Bezerra – que estava afastado da
política – para o PMDB e a sua segunda candidatura a prefeito em 15 de novembro
de 1988., tendo como candidato a vice-prefeito o ex-prefeito Valdomiro Pedro
Viana. Embora o partido não tenha logrado êxito naquela oportunidade,
identificou ali a semente para as merecidas vitórias conquistadas pelo Dr.
Pinheiro: 3 de outubro de 1992, derrotando o Dr. Ivo Freire de Araújo, em
3 de outubro de 1996, fazendo seu sucessor, Evandro Marinho de Paiva,
derrotando Fábio Soares; em 1º de outubro de 2000, com seu segundo
mandato, derrotando o ex-prefeito Simão Nogueira Neto; em 3 de outubro de 2004,
com sua reeleição, derrotando dois ex-prefeitos, Vandinho e Simão.
Atualmente aos 94 anos de idade. Encontra-se afastado da
política apodiense, porém, pode ver no Apodi vários de seus sonhos realizados:
Faculdade, emissoras de rádio, eletrificação rural, barragem, de Santa Cruz,
Casa de Cultura, Fórum Municipal, Companhia de Polícia Militar e até uma
unidade do CEFET. Falta a avenida
urbanizada à beira da lagoa e a irrigação da Chapada. Ele alerta que é preciso
seguir sempre em frente. O progresso é filho dos sonhos e do trabalho
dos homens de bem.
Aposentando, residiu com sua companheira no Sítio Poço
verde, próximo à Barragem de Santa Cruz. Apesar de todas as dificuldades que já
passou, criou sua família com o suor de seu trabalho, ensinando-lhes que
só vale a pena progredir na vida à custa do próprio esforço. Quem constrói
um patrimônio ilicitamente termina pagando caro, e o pior, sempre paga com
juros altos, e para complicar, a dívida é quitada na velhice, quando o devedor
encontra-se sem forças de reagir para o trabalho honesto, daí muitas das vezes
paga preso na própria cama, cujas portas e janelas totalmente abertas, mas
acamado e muito doente, sem poder alevantar-se nem sequer pode fugir,
apesar de encontra-se sozinho, sem polícia e família. A LEI DIVINA É CORRETA. QUEM FAZ AQUI, PAGA AQUI. Quem já viveu a
idade de Melinho já viu muitos desses exemplos de vida e com certeza pode
transmitir para os jovens de hoje que na maioria procura enveredar pelo caminho
do mundo do crime, cujo final é de chegar na cidade de Pés Juntos ou
na cadeia.
Seu Melinho apesar de sua idade ainda continua trabalhando de
sol a sol, como sempre fez desde menino, sem ser pesado a ninguém.
FONTE: Gilberto
FOTO DE 93 ANOS DE IDADE, POR LEILA KARLA

